Aha!

Desde o começo das minhas aulas de francês e alemão aqui, eu venho precebendo uma semelhança muito grande com vocabulário. As palavras sempre se conectam com alguma outra do mesmo significado, tipo radical igual. Ou se parecem com português, ou com espanhol, ou com inglês, ou com alemão, ou com francês.

Exemplo (português – espanhol – inglês – francês – alemão):

laranja – naranja – orange – orange – Orange

manhã – mañana – morning – matin – Morgen

Só que eu vi umas coisas que não se conectam muito:

morango – fresa – strawberry – fraise – Erdbeere

cedo – temprano – early – tôt – früh

Da hora, né? 😛 Acho interessante saber essas diferenças sem muita noção.

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Comportamento humano

A segunda palestra que assisti na conferência foi sobre o comportamento humano em diferentes culturas. Foi uma professora de psicologia do college que falou sobre o assunto. Gente, a mulher falou por 50 minutos sem respirar. Eu fiquei de boca aberta nos 50 minutos. Sabe aquele tipo de palestra que você não consegue tirar os olhos? Não consegue parar de prestar atenção? Foi assim!

Dá só um bizu nas coisas muito loucas que a moça falou:

1) O desenvolvimento humano é diretamente influenciado pelo ambiente em que vive, isso inclui pessoas, habitat, língua falada, roupas, etc.

2) Algumas tribos na África vivem somente em florestas tropicais, por isso a noção de profundidade e distância deles é diferente. Quem nasceu e cresceu em vales, por exemplo, sabe distinguir entre distâncias porque a paisagem sempre muda. Para quem vive em florestas, não há muita diferença. As árvores seguem mais ou menos a mesma altura, o mesmo padrão e a paisagem ao redor das árvores não muda muito. Por isso a noção de profundidade do povo é diferente. Imagina isso: uma sala com uma pele de tigre esticada no chão, daquelas em que aparece a cabeça, as patas, tudo certinho. Agora imagina visualizar um tigre de cima, como se você estivesse em um helicóptero. A psicóloga apresentou essas duas fotos para a gente, só que era com elefante, um esticadão, e o outro só com a cabeça e o corpo (vista aérea). Um pesquisador mostrou essa foto para o povo dessa tribo e todos disseram que eles visualizam o elefante na forma toda esticadona no chão, não na perspectiva da visão aérea. Ela disse que, como eles nunca tiveram essa noção de perspectiva e profundidade mais apurada, eles não sabem distinguir.

3) Nessa mesma tribo, o pesquisador apontou ao longe um bando de antílopes e perguntou para alguns tribais o que era aquilo. Eles disseram que eram formigas. Daí o pesquisador colocou todo mundo em um carro e foi andando até o bando de antílopes e perguntou de novo o que era aquilo. Eles disseram que eram antílopes. Daí o cara voltou de carro para o mesmo lugar distante e perguntou de novo. Eles disseram que o pesquisador era mágico, porque conseguia transformar antílopes em formigas e formigas em antílopes (!).

4) Um povo na Nova Guiana não usa os dedos da mão para contar, como nós fazemos (1,2,3,4,5…). Eles usam as partes do corpo para contar. Tipo, vãos dos dedos, pulso, antebraço, braço, pescoço, cabeça, até chegar no outro extremo da outra mão. Como eles não precisavam de quantidades grandes, o número não passava de 30. Quando você pergunta quantos XX tem em um certo lugar, eles dizem 1 mão, 1 cabeça, 2 mãos, 2 pescoços e tal. Não dizem os números exatos como nós fazemos através dos dedos e dos numerais exatos. Para eles não é interessante saber que existem 27 pedras, mas que tem entre 20 e 30. Então, cientistas dizem que matemática é a única coisa que a gente pode considerar global e isso não é verdade. Esse povo não sabia fazer subtração, multiplicação, ou divisão. Mesmo depois que ensinaram os candangos a contar diferente, eles ainda usavam os membros do corpo para raciocinar e usam isso até hoje.

5) A noção de inteligência desse povo aí: perguntaram para eles quem era na tribo a pessoa mais inteligente dali. Todo mundo respondeu que eram os dançarinos, porque eles representavam a cultura daquele povo e passavam isso de geração em geração. Se fizer a mesma pergunta para alguém fora dessa tribo, a pessoa pode dizer o nome de algum físico, matemático ou sei lá o que que tenha contribuído para a humanidade. Até a perspectiva de inteligência é diferente entre culturas.

6) Alguns lugares na África ainda estimulam a mutilação genital feminina. A psicóloga estava dizendo que para nós isso é horrível e que a nossa cultura não aceita isso, mas para eles é aceitável, é comum, é da natureza deles. Se alguém sair daqui e for para lá dizendo que isso é errado e que eles precisam parar, eles não irão entender. Já que eles cresceram com essa cultura, é tudo normal para eles. Tanto que algumas tribos já estão mudando essa atitude e proibindo a mutilação genital, mas as mulheres mais idosas ainda estimulam isso, porque elas passaram por esse processo. Quando você experimenta algo, aquilo se torna parte da sua natureza.

7) Existe uma doença mental que é muito comum em homens asiáticos em que eles acreditam que o órgão genital está desaparecendo. Eles acreditam tanto nisso, que chegam a se machucar de todas as formas para fazer com que o pênis não desapareça. Muitos deles puxam até sair o negócio da mão, mahucam tudo de vez e isso não acontece só com homens. As vezes as mães de meninos pensam que eles estão com essa doença e elas mesmas começam a fazer algo para que o pênis não desapareça. Até eles entenderem que isso não existe, que é algo do cérebro, já era. Começou a acontecer com mulheres também, elas pensam que os peitos vão sumindo e tentam fazer algo para colocar tudo para fora.

8 ) Anorexia não existia na Ásia e isso é assunto recente. O problema é que a nossa definição de anorexia é extremamente diferente da definição dos asiáticos. Anorexia para nós é a pessoa pensar que está gorda mesmo estando magra, é comer por obrigação, as pessoas têm consciência da doença. Na Ásia não é assim, elas sabem que estão magras demais e não tem medo de engordar, comem e dizem que sente algo estranho na garganta ou no estômago enquanto comem. Então, até a forma de definir doenças e diagnosticar pacientes é uma coisa que varia de cultura para cultura. Muitas vezes os médicos que seguem o padrão de diagnóstico americano fazem com que seus pacientes percam tempo e saúde, porque isso não se aplica a cultura deles. Portanto, o tratamento não pode ser o mesmo.

Louco, né? Isso tudo foram exemplos que ela deu para mostrar como o ser humano é diferente, como nós temos que levar em consideração a cultura do povo antes de apontar e falar “você está errado”.

Workshop de professores

Hoje eu passei o dia assistindo a um workshop que falava sobre como ajudar os alunos a escrever melhor. Sabe aquelas redações de vestibular mesmo? É isso que os alunos daqui aprendem, narração, dissertação e descrição. Aqui é a mesma coisa, só que eles exigem que cada redação tenha 5 parágrafos, no mínimo.

A conferência era fechada para professores, mas eu consegui entrar camuflada com a ajuda da Macarena. Foi das 9h as 15h com café da manhã e almoço. O povo daqui insiste em chamar isso de almoço: salada de 4 ou 5 verduras diferentes, um molho no meio e pão com parmesão. Isso foi o almoço.

A moça que estava apresentando é texana, sotaque bem legal e muito simpática também. Ela já escreveu vários livros falando sobre alternativas para usar a mesma estrutura de escrita, mas de uma forma com que o aluno realmente consiga escrever mais do que o óbvio. A estrutura que eles usam também é a mesma coisa, introdução, desenvolvimento e conclusão. Além de publicar as técnicas, ela publica as redações dos alunos como resultado final (ainda com erros de gramática e tudo o mais).

Ela ensinou umas técnicas e mostrou umas coisas que eu nunca vou esquecer. Ela conseguiu encontrar formas diferentes de ensinar essa mesma estrutura que não fosse assim:

– Óh, na introdução você apresenta o assunto, mas sem detalhar muito. No desenvolvimento, você coloca todos os detalhes, mas não esquece de dividir os parágrafos… faça 2 pelo menos. Na conclusão você resume tudo o que já falou e a sua redação estará pronta.

É isso que eu ouvia dos meus professores pelo menos. Nunca tive problema com redação, mas que eu acho uma balela, eu acho. Pra que raios você tem que dar um gostinho, detalhar tudo e repetir tudo de novo?? Acho esse lance de repetição um pé no saco e só serve para você aprender a falar a mesma coisa com palavras diferentes.

Uma das técnicas que ela ensinou tem um nome legal (não posso escrever aqui, por conta de direito autorais) e é super fácil para começar a escrever. Ela desenhou três quadrinhos em um papel e colocou um desenho em cada, pés e pernas de uma pessoa, olhos e pensamento. Daí ela definia o tema que, diz ela, tem que ser o mais específico possível, não pode ser “Fale sobre a influência de Macunaíma para a literatura brasileira”, mas tem que ser algo que o aluno consiga ver alguma relação com a própria vida, tipo “Fale sobre um momento na sua vida que se assemelhe com alguma ação de Macunaíma”. Feito isso, ela apontava para os quadrinhos com os desenhos e perguntava:

– (pés e pernas) Onde você estava quando esse momento aconteceu? Onde os seus pés estavam, exatamente?

– (olho) O que você viu naquele momento?

– (pensamento) O que você pensou sobre isso? O que você sentiu?

Através dessas perguntas, o aluno consegue formar 3 frases, no mínimo, e a partir dessas frases ele desenvolve uma narrativa. Mew, o resultado é muito legal. Até crianças de 7 anos de idade conseguem dar uma riqueza de detalhes grandioso para uma redação se eles seguirem esse método. Eu achei super legal.

Ela tem outras técnicas para dissertação, narração e descrição que são bem diferentes, mas não vou colocar aqui. Para os leitores que gostam de escrever (Gabi, Tais, Camila e Edilson), é uma ótima dica para vocês criarem os textos de vocês. Milena e Adriana, espero que seja útil em sala de aula.

Gestão de materiais

Palavras que já aprendi nessa aula:

Lift truck – empilhadeira

Bottleneck – gargalo

Paperboard package – embalagem longa vida

Conveyors – esteira (tenho certeza que esse não é o nome certo, mas é assim que eu sei explicar… é onde os produtos vão andando sozinhos, tipo uma esteira só que feita com um monte de tubinhos que vão rodando para levar o produto a algum lugar.)

Corrugator – máquina de fazer aquelas ondinhas que nem tem no meio do papelão

Se alguém souber o nome certo para essas coisas em português, eu agradeço se postar aqui.

Nigéria

Hoje foi a apresentação de um dos projetos das aulas de Cultural Management. O grupo formando por Rosalyne e Kimberly falou sobre as relações empresariais nos EUA.

A Rosalyne levou a mãe dela na aula para falar sobre a experiência que ela teve no trabalho. Ela é chefe da área de documentação da Exxon Mobil, uma empresa americana que explora petróleo, e foi transferida para a Nigéria para coordenar essa área na filial de lá. Eu não lembro o nome da mãe dela, então vai ser só ”Mãe” mesmo, ok?

A Mãe é um ser extremamente simpático, cheia de fazer piadinhas e dá risada toda hora. A pronúncia dela é muito louca, nem consigo descrever isso aqui. Na foto abaixo, a Mãe é a com o vestido sem noção e a Rosalyne é a da direita.

Esse vestido que ela está usando é uma roupa típica da Nigéria que ela ganhou de uma das tribos de lá. Ela disse que recebeu um nome de uma das tribos e teve um ritual para isso. Além desse nome local, as pessoas a tratam de Big Madam, o que significa que as pessoas a veem com um status social superior ao de muita gente de lá. A partir de agora eu vou contar as coisas que ela nos contou na aula hoje.

Pobreza por toda a parte. Não existe energia todos os dias e o governo, além de ser super corrupto, corta a luz quando bem entende e não avisa ninguém. Por isso, raríssimas são as famílias que tem uma geladeira em casa, tanto porque não tem a energia para mantê-la funcinando quanto porque não podem comprar mesmo. Então, os mercados populares são muito comuns e qualquer pessoa pode ir lá vender qualquer coisa. Não é chão de cimento, então é pura areia, barro e lama. As carnes ”frescas” ficam em cima de tábuas sujas, com pregos e moscas. Mas é isso o que eles tem para comer, então todo mundo compra. O mesmo acontece com as frutas e vegetais e leite é uma coisa dos deuses.

Os currículos que eles recebem são bem diferentes. A primeira página toda fala só sobre a pessoa, nome, idade, hobbies, família, a qual tribo pertence, nome do avô e toda a descendência da pessoa. Eles prezam muito isso lá, então os gestores locais normalmente contraram somente as pessoas que são da mesma tribo deles. Existem várias tribos diferentes e eles são rivais.  Voodoo é bem comum por lá e a macumba rola solta. Só que só os tribais mais experientes conseguem fazer com que o voodoo ”pegue” em uma pessoa de outra tribo. Caso contrário, só funciona com pessoas de tribos iguais. Bizarro, não?

Só que como a Mãe está lá como um ser internacional, os privilégios são outros. Eles moram em um negócio parecido com um campo de concentração, cercado por muros e guardas armados. Cada um tem seu apartamento e a comida deles vem de um restaurante americano que fica dentro desse campo residencial. Eles tem energia e água toda hora, porque tudo foi contruído para eles especificamente.

Para chegar do apartamento até a empresa, um carro com 4 guardas sai uns 5 minutos antes para ver se não há nenhum problema nas ruas ou algum tipo de briga tribal. Os empregados vão em um carro depois com um guarda dirigindo e logo atrás vai outro carro com mais 4 guardas só para garantir a segurança. Isso acontece até com as empresas de grande porte locais, não só com multinacionais.

A empresa também é cercada por muros altos e guardas. Uma barreira que é bem difícil de se quebrar é o lance da contratação por tribos. Eles tem um acordo com o governo que diz que 90% dos empregados tem que ser locais, então eles tem que lidar com isso de um jeito ou de outro. Algumas pessoas simplesmente não trabalham o dia todo. Elas pensam que só porque pertencem à mesma tribo que o gestor, não serão demitidas e isso realmente acontece. Os gestores não demitem quem é da mesma tribo. (Caramba, lembrou do sistema público no Brasil?) Ah, um outro detalhe é que os empregados preferem acatar ordens de um americano do que de uma pessoa de tribo diferente.

Por causa de todas essas diferenças, a empresa se obriga a criar programas sociais para ajudar as tribos e vilas de lá. Caso contrário, é como se eles fossem inimigos e a empresa não sobreviveria de maneira alguma.

Bom, contei tudo o que lembrei da apresentação dela. Gostei muito das coisas que ela falou confesso que isso me impressionou um pouco, porque eu ia imaginando as coisas enquanto ela falava. Espero que essas informações sejam úteis, pelo menos foram úteis para mim.

Resultado da cabeçudice

Lembram do post falando sobre a bagunça que fiz com a.m. e p.m.?

Não estava muito certa sobre as minhas respostas, porque estou meio que sofrendo nessas aulas de Macroeconomics. Acabei de ver a minha nota nessa atividade e a professora não tirou ponto nenhum 😀

Acho que foi porque eu deixei uma nota no rodapé do quiz dizendo que eu não estou acostumada com esse lance de a.m. e p.m., que eu me confundi e blablabla. Não é mentira, porque eu me confundi de verdade, mas não é coisa tão difícil assim, né? Eu podia ter prestado mais atenção.

Por falar em falta de atenção, hoje eu morri de rir da minha própria cara. Fui dormir super cedo ontem, era menos de 23h, acordei hoje as 8h da manhã. Quando fui escovar os dentes, peguei a pasta, peguei a escova de cabelo pensando que era a escova de dente e só foi aí que eu percebi que não deveria passar pasta de dente na escola de cabelo. Nunca fiz isso na minha vida toda, foi super falta de atenção mesmo.

Recursos Humanos

Na minha aula de Business Ethics de quinta-feira a professora levou uma moça que é gerente de RH de uma empresa de grande porte aqui. Ela apresentou umas questões éticas bem interessantes e eu não me aguentei e perguntei sobre pesquisar dados na internet dos candidatos a uma vaga.

Ela disse que a maioria das empresas aqui fazem isso. Elas colocam o nome da pessoa no Google, procuram no Facebook, no My Space e em um outro lugar que eu esqueci o nome. Eles dizem que fazem isso, porque conseguem saber realmente como é a personalidade do candidato.

Ou seja, as empresas no Brasil que fazem isso só estão seguindo o povo daqui. Não concordo com isso e não acho nem um pouco ético o que as empresas fazem.

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