Nigéria

Hoje foi a apresentação de um dos projetos das aulas de Cultural Management. O grupo formando por Rosalyne e Kimberly falou sobre as relações empresariais nos EUA.

A Rosalyne levou a mãe dela na aula para falar sobre a experiência que ela teve no trabalho. Ela é chefe da área de documentação da Exxon Mobil, uma empresa americana que explora petróleo, e foi transferida para a Nigéria para coordenar essa área na filial de lá. Eu não lembro o nome da mãe dela, então vai ser só ”Mãe” mesmo, ok?

A Mãe é um ser extremamente simpático, cheia de fazer piadinhas e dá risada toda hora. A pronúncia dela é muito louca, nem consigo descrever isso aqui. Na foto abaixo, a Mãe é a com o vestido sem noção e a Rosalyne é a da direita.

Esse vestido que ela está usando é uma roupa típica da Nigéria que ela ganhou de uma das tribos de lá. Ela disse que recebeu um nome de uma das tribos e teve um ritual para isso. Além desse nome local, as pessoas a tratam de Big Madam, o que significa que as pessoas a veem com um status social superior ao de muita gente de lá. A partir de agora eu vou contar as coisas que ela nos contou na aula hoje.

Pobreza por toda a parte. Não existe energia todos os dias e o governo, além de ser super corrupto, corta a luz quando bem entende e não avisa ninguém. Por isso, raríssimas são as famílias que tem uma geladeira em casa, tanto porque não tem a energia para mantê-la funcinando quanto porque não podem comprar mesmo. Então, os mercados populares são muito comuns e qualquer pessoa pode ir lá vender qualquer coisa. Não é chão de cimento, então é pura areia, barro e lama. As carnes ”frescas” ficam em cima de tábuas sujas, com pregos e moscas. Mas é isso o que eles tem para comer, então todo mundo compra. O mesmo acontece com as frutas e vegetais e leite é uma coisa dos deuses.

Os currículos que eles recebem são bem diferentes. A primeira página toda fala só sobre a pessoa, nome, idade, hobbies, família, a qual tribo pertence, nome do avô e toda a descendência da pessoa. Eles prezam muito isso lá, então os gestores locais normalmente contraram somente as pessoas que são da mesma tribo deles. Existem várias tribos diferentes e eles são rivais.  Voodoo é bem comum por lá e a macumba rola solta. Só que só os tribais mais experientes conseguem fazer com que o voodoo ”pegue” em uma pessoa de outra tribo. Caso contrário, só funciona com pessoas de tribos iguais. Bizarro, não?

Só que como a Mãe está lá como um ser internacional, os privilégios são outros. Eles moram em um negócio parecido com um campo de concentração, cercado por muros e guardas armados. Cada um tem seu apartamento e a comida deles vem de um restaurante americano que fica dentro desse campo residencial. Eles tem energia e água toda hora, porque tudo foi contruído para eles especificamente.

Para chegar do apartamento até a empresa, um carro com 4 guardas sai uns 5 minutos antes para ver se não há nenhum problema nas ruas ou algum tipo de briga tribal. Os empregados vão em um carro depois com um guarda dirigindo e logo atrás vai outro carro com mais 4 guardas só para garantir a segurança. Isso acontece até com as empresas de grande porte locais, não só com multinacionais.

A empresa também é cercada por muros altos e guardas. Uma barreira que é bem difícil de se quebrar é o lance da contratação por tribos. Eles tem um acordo com o governo que diz que 90% dos empregados tem que ser locais, então eles tem que lidar com isso de um jeito ou de outro. Algumas pessoas simplesmente não trabalham o dia todo. Elas pensam que só porque pertencem à mesma tribo que o gestor, não serão demitidas e isso realmente acontece. Os gestores não demitem quem é da mesma tribo. (Caramba, lembrou do sistema público no Brasil?) Ah, um outro detalhe é que os empregados preferem acatar ordens de um americano do que de uma pessoa de tribo diferente.

Por causa de todas essas diferenças, a empresa se obriga a criar programas sociais para ajudar as tribos e vilas de lá. Caso contrário, é como se eles fossem inimigos e a empresa não sobreviveria de maneira alguma.

Bom, contei tudo o que lembrei da apresentação dela. Gostei muito das coisas que ela falou confesso que isso me impressionou um pouco, porque eu ia imaginando as coisas enquanto ela falava. Espero que essas informações sejam úteis, pelo menos foram úteis para mim.

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Luciana Monteiro
    out 31, 2009 @ 06:15:44

    Esse sistema de proteção entre membros da mesma tribo também acontece por aqui mesmo, só que aqui nós não passamos por tantas dificuldades quanto esse povo aí. Eita povinho pra sofrer nas mãos dos políticos, não?
    Pensei que o Brasil era muito ruim, mas estou vendo que tem gente que sofre muito mais, credo!!
    Político é político em tudo quanto é canto!

    Responder

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