Museu Egípcio (Museu do Cairo)

Hoje o dia foi dedicado ao Museu do Cairo. Passei cerca de 5 horas lá.

Dois detalhes importantes sobre o museu: (1) não existe possibilidade de comprar água lá. Não tem restaurante, lanchonete, venda clandestina, bebedouro, nada. Leve água! Tinha gente com marmita de macarronada comendo lá dentro, então é permitido entrar com qualquer tipo de alimento; (2) diferentemente dos museus que eu conheço (ou pode ou não pode tirar foto, sem meio termo), se você quiser tirar foto, tem que comprar uma entrada especial que te libere a tirar fotos… só que ninguém avisa sobre isso na bilheteria.

A entrada custa EGP 75,00 (BRL 13,00). A entrada com foto tirada pelo celular ou uma câmera comum custa EGP 125,00 (BRL 22,00)… se for câmera profissional é mais caro (imagina um grupo de japoneses que só usam as super câmeras rss o lucro é alto). Eu só fui descobrir isso depois que já tinha passado pelo detector de metais. Tive que sair, comprar a entrada de novo só com o valor adicional, e pegar a fila de novo. Fila que ninguém segue, aliás, momento boiada mais uma vez… tinha um menino francês perto de mim e ele estava super irritado com todo mundo que passava na frente dele. O pai dele mandava ele ficar na dele e não xingar. Dei muita risada da frustração do menino. Ele estava se sentindo exatamente como eu.

Não há opção de visita com áudio, só há a opção de entrar sozinho e sair lendo os descritivos de cada coisa ou chamar um guia turístico para explicar. A opção do guia é a mais comum e a mais usada, eles ficam do lado de fora do museu oferecendo serviço e são muito mais educados que os caras oferecendo táxi no aeroporto. Eu optei por entrar sozinha. Só aí eu descobri que os descritivos não existiam para todas as peças e que muitos nunca foram renovados, então tinha um monte com a frase “Não se sabe para que era usado… Cientistas ainda não descobriram blábláblá…”, só que o papel estava feito com máquina de escrever, todo amarelado e com correções à caneta. Pensa na idade do treco.

O museu é realmente gigantesco, com inúmeras peças de tamanhos diversos. São dois andares, o de baixo é organizado por período no tempo e o de cima é organizado por categoria (utensílios de cozinha, de beleza, sarcófagos, múmias, carruagens, etc.). Só que é tudo separado por galerias, salas gigantes que se dividem nos corredores, então é facinho se perder lá dentro. Eles não têm nenhum panfleto ou mapa do museu para os visitantes, só existe um mapa todo preto fixado numa parede escondida na entrada. Apesar de ser um mapa super confuso, foi o que usei para saber se realmente tinha passado por tudo. Era o que tinha.

Momento bizarro do dia: Depois que já estava andando por uns 20 min. duas adolescentes me pararam e perguntaram se podiam tirar um foto comigo. Eu achei estranho e perguntei o motivo. Elas disseram que tinham me achado bonita e gostaram da minha roupa. OK, tirei foto com elas. Depois de mais um tempo andando, outras meninas pediram a mesma coisa, depois um rapaz, depois um menino, depois mais e mais e mais e mais adolescentes pediram a mesma coisa. Cara, que negócio é esse? Logo no segundo eu recusei. Não era possível ser coincidência. Algo estava acontecendo. Comecei a reparar que existiam grupos de adolescentes com celulares na mão tirando fotos com qualquer turista, com ou sem a permissão da pessoa. Eu sentei em um banco por um momento para descansar um pouco. Três franceses sentaram do meu lado, porque um deles estava com o nariz sangrando… mew, o que surgiu de adolescente tirando foto deles foi incrível. E eles falando “Sem foto, sem foto”, sem resultado. As fotos foram tiradas e o grupo foi aumentando… Impressionante. Foi aí que parei um guia turístico qualquer e perguntei para ele o que raios estava acontecendo. Ele disse que é um hobby dos adolescentes daqui tirar fotos com o máximo de turistas possível. Depois eles colocam tudo no Facebook e meio que saem competindo sobre quem tirou mais foto e tal. Juro, me senti um Pokémon sendo caçado. E teve um menino que não descansou, ele me pediu 3x pra tirar foto com ele.

Ápice da visita: existe uma sala separada para os objetos encontrados na tumba de Tutankhamon, não pode tirar fotos lá e os guias não podem entrar, só os visitantes. Gente, juro, é indescritível o que eu vi naquela sala. Era tudo de uma energia tão forte, algo tão surreal, que eu comecei a chorar instantaneamente. A riqueza de detalhes, os cuidados, as cores, as representações, a grandiosidade de tudo era impressionante. Na época que a tumba foi descoberta já havia registro por foto, então tudo foi fotografado quando encontrado e eles colocam as fotos do lado dos objetos reais. Sem palavras, de verdade. Eu saí da sala e sentei pra pensar na vida. A nossa rotina hoje é muito insignificante perto de tudo o que as pessoas daquela época eram capazes de fazer.

Mostrarei as fotos quando conseguir.

Impressão geral: é um museu muito bonito, muito grande, mas com pouco cuidado. As peças ficam expostas de qualquer jeito, sem proteção e quando tem proteção é algo tão mal feito que fica tudo empoeirado. Seria muito melhor se os devidos cuidados fossem tomados, se as descrições fossem mais decentes e se os funcionários soubessem falar inglês. Vários não sabiam nem a palavra “água”. Em um museu de renome internacional, eu imaginei que seria fácil me comunicar, mas não foi. Recebi doação de água de duas pessoas que me viram tentando conversar com os funcionários de lá. Apesar de tudo, vale a pena. A experiência é muito boa.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: