Yosemite National Park

Na sexta-feira a noite um cara com sotaque árabe me ligou e disse que sei lá quem tinha cancelado a viagem e que agora eu não ia caber no carro. Beleza, tristeza geral, né. Mas aí o cara disse que tinha um lugar no carro dele e perguntou se eu queria ir junto. Maravilha de novo! Eu disse que sim e perguntei se a outra brasileira aqui da casa poderia ir com a gente e ele disse que não, porque só cabiam 2 pessoas no carro. Já achei o negócio meio estranho, mas beleza.

O sábado começou cedo, 4h30 da manhã eu já estava acordada preparando as mochila para a viagem ao parque. 5h30 da manhã o cara apareceu aqui em casa para me pegar. Foi aí que eu entendi porque só dava para ir 2 pessoas. Olha só o carro que o cara tinha. Exatamente igual ao da foto, pretinho mesmo. OK. Pasmei um pouco e fiquei na minha. Foi a primeira vez que entrei em um carro de 6 marchas.

Aí começamos a procurar no GPS do carro o endereço certo para chegarmos ao parque, só que o GPS não entendia o que era o raio do parque. Depois de uns 30 minutos, achamos algo e fomos assim mesmo.

Aí eu descobri que o nome do cara era Yasser e que ele realmente é árabe, está aqui em San Francisco estudando para uma prova de MBA.

Fomos nós para uma viagem de quase 4h dirigindo. Vimos muita coisa legal no caminho, só que nós dois cabeçudos deixamos as máquinas fotográficas no porta malas, aí perdemos parte das fotos boas. A estrada toda era muito legal, asfalto belezinha, sem buracos, tudo ok. Vi umas vacas muito da hora, elas tem muito, mas muito pelo. Pareciam cachorros gigantes. Vacas desse jeito são legais!

Depois de várias olhadas no GPS e no mapa que estava no meu colo (eu estava servindo de co-piloto) chegamos na estrada final. Sabe a serra de Ubatuba? Então, a estrada era assim só que toda certinha. Essa estrada só fica acessível durante o período de verão, já que no inverno neva naquela região e não dá pra ficar passando em cima do gelo quando está dirigindo em abismos, né?

Chegamos no parque e deveríamos encontrar o outro grupo que estava em outro carro, só que não pegava celular lá. Aí fui eu ligar para o outro carro do orelhão e ninguém atendia. Depois de 1h30 esperando o outro grupo no local combinado, ninguém apareceu. O único problema era que nem eu e nem o Yasser sabíamos o que fazer no parque. Quem sabia era o motorista do outro carro. Aí decidimos entrar em um dos ônibus gratuitos do parque e ir até o ponto final. No meio do caminho descobrimos uma trilha e resolvemos entrar, já que tinha vários idosos e crianças saindo de lá (supostamente, isso queria dizer que a trilha era fácil!).

Já nos primeiros 15 minutos nós pensamos em desistir porque o negócio era íngrime demais, mew, na boa. Tanto eu quanto ele estamos literalmente fora de forma pra esse tipo de coisa. Aí eu falei que já que estávamos ali, que fossemos até o final, parando e andando, mas até o fim.

A paisagem ao subir da trilha era linda, tirei várias fotos que já estão no álbum, mas tudo o que o Yasser queria era tirar fotos bonitas e ele não parava de falar em cachoeiras. Como ninguém sabia o que teria no final da trilha, eu meio que fiquei com a consciência pesada de fazer o menino subir tudo aquilo e não ter uma cachoeira no final. Depois de 1h andando tinha um rio, aí ele começou a se alegrar, né, e eu também fiquei com a consciência menos pesada.

Ainda restavam 30 minutos de caminhada depois daquele ponto para chegar no topo da cachoeira. Fomos mesmo assim e foi muito legal. O lugar era lindíssimo. Apesar de ser uma subida bem perigosa por ser tudo de pedra molhada e muito íngrime, conseguimos chegar ao topo.

Olha, foi um dos dias mais cansativos e desafiadores da minha vida, mas depois que eu percebi que subi 5,5km de trilha íngrime naquela paisagem maravilhosa, não precisava de mais nada. Até o gosto da água ficou diferente.

Saímos do parque era quase 18h e cheguei em casa era 23h extremamente cansada. Estava me sentindo uma árvore ambulante de tão suja e fui logo tomar um banho. Dormi muito feliz por ter visto e vivido tudo o que pude nesse dia.

Mas foi engraçado a hora que acordei. Levantei da cama e nunca tinha ouvido tantos ossos estalando ao mesmo tempo, parecia que eu tinha pisado em um plástico bolha. Sedentarismo é foda…

Estão vendo a marcação vermelha? Esse é o topo da cachoeira onde chegamos.

O Yasser fez tudo de coração mesmo. Thank you very much, Yasser!

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Claudia
    maio 07, 2012 @ 13:59:27

    Nossa! No seu lugar eu teria muito medo…mas valeu a pena, pelo que eu li.

    Responder

  2. Macarena Aguilar
    maio 10, 2012 @ 11:01:43

    Congratulations!! It looks awesome. It reminds me of when I first got to the States and a guy took me to a very dangerous, but beautiful spot in Idaho. And I also wasn’t in shape, but it was sure worth it1

    Responder

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