Sicko vs. Sistema de saúde

A Macarena me emprestou esse DVD. É um documentário do Michael Moore.

Os relatos são sobre o sistema de saúde americano. Aqui todo mundo é obrigado a ter plano de saúde (até eu tenho), porque nada é pago pelo governo e o filme mostra isso de uma forma bem crítica. Ele compara o sistema dos EUA com o de Londres, da França, do Canadá e de Cuba. É uma jogada muito interessante quando chega na parte de Cuba, é um tapa na cara dos americanos.

Nesses outros lugares que ele mostrou como funciona o sistema de saúde, nada é pago. Qualquer pessoa que estiver no território deles, seja imigrante, residente ou cidadão, tem o direito de receber qualquer tipo de tratamento que seja necessário para que a saúde da pessoa não seja prejudicada. Tudo gratuito mesmo.

Por incrível que pareça, a França ainda tem um sistema em que alguns empregados específicos vão até a casa dos moradores para lavar a roupa, fazer jantar, cuidar das crianças e coisa do tipo. Fiquei pasma quando vi isso, mas é verdade mesmo. Creche também tem um valor simplesmente simbólico, 1 dólar por hora e todos os empregados da creche tem que ser graduados na área de atuação, no mínimo.

Aqui nos EUA, quando uma pessoa não tem dinheiro para pagar o tratamento ou qualquer coisa que precise ser feita em um hospital, ela não pode ficar no hospital. O documentário mostra que essas pessoas são colocadas dentro de um taxi e literalmente jogadas em frente a qualquer outro hospital da cidade. Ou seja, praticamente um hospital passa a bola para o outro só porque a pessoa não tem como pagar o tratamento.

Teve um senhor que perdeu parte de dois dedos de uma das mãos. O médico no hospital falou que ele podia escolher: pagar 60 mil dólares para colocar 1 dos dedos no lugar, OU pagar 12 mil dólares para ”colar” o que estava parcialmente fora de lugar. Lindo, não?

Além disso, mesmo com o plano de saúde obrigatório, o tempo de espera nos hospitais passa de 3 horas e as pessoas esperam e esperam nos corredores. Isso porque eles estão pagando! Outro dia a Macarena me contou que o marido dela precisou ir ao médico para tirar um algodão que ficou preso no ouvido dele (!), o preço por ele ter ido ao médico e tirado o algodão: 8 mil dólares. Eles só pagaram 400, porque é isso que o plano de saúde cobrou. Mas… mew, 8 mil dólares para tirar um mísero algodão do ouvido?!

O irônico desse documentário é que eles mostram o tratamento e as salas médicas que existem dentro da prisão de Guantánamo, em Cuba. Os prisioneiros mais temidos pelos EUA tem todo o direito de receber o melhor tratamento possível, sem pagar nada. Daí o Michael Moore, bem esperto, juntou um grupo de pessoas que não conseguiram receber tratamento adequado nos EUA e levou para Guantánamo, dizendo que eles tem o mesmo direito de receber o tratamento que os terroristas recebem. Nada aconteceu, né?

O tapa na cara dos EUA: As pessoas que foram até Cuba entraram em um hospital e pediram tratamento. Conseguiram tudo o que precisavam, foram diagnosticados e receberam todos os medicamentos necessários para continuar o tratamento nos EUA. Uma das senhoras que estava no grupo foi até uma farmácia e perguntou por um remédio específico. Nos EUA, o remédio que ela procurou custa 107 dólares e em Cuba, só 5 centavos. Todos os pacientes se emocionaram demais e foram muito gratos a todos os médicos em Cuba.

Pois então… os brasileiros reclamam que o atendimento médico é uma porcaria, assistam a esse documentário. Está certo que o sistema do Brasil não chega perto de ser perfeito. Filas de espera gigantescas, qualidade bem baixa, médicos mal remunerados, falta de equipamento e blablaba. Algumas pessoas até podem morrer por não terem um plano de saúde particular, mas é raro isso acontecer quando você está pagando, como é o caso dos EUA.

O documentário tem mais de 2h de duração e é muito bom. Você consegue ter uma perspectiva muito clara sobre como as coisas funcionam aqui e quem é que comanda tudo. Recomendo.

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7 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Luciana Monteiro
    nov 26, 2009 @ 05:33:56

    Ah, você não contou como é no Canadá!!!
    Espero que seja bem melhor do que nos EUA!!!

    Que horror não?!
    Isso que é país de primeiro mundo?!?!?
    Eles não só desconsideram quem não tem dinheiro para pagar um plano de saude, como também não atentem bem quem paga!!! Que horror!!!

    Responder

    • Nicole Gica
      nov 26, 2009 @ 09:34:16

      Londres, França, Canadá e Cuba tem sistemas de saúde muito semelhantes, ninguém precisa pagar nada e é tudo de boa qualidade.

      Responder

  2. Edilson
    nov 26, 2009 @ 08:57:30

    Assisti este documentário, e ele é uma ferida exposta do caótico serviço público de saúde do EUA. Nem só no Brasil as coisas são falhas. Imagine em países do Oriente Mèdio….como será???rss…Bjss Nic e obrigado seus comentários sempre bacanas em meu blog.

    Responder

    • Nicole Gica
      nov 26, 2009 @ 09:35:58

      No Oriente Médio deve ser bem pior mesmo, nunca entrei nesse assunto com os egípcios aqui, mas vou perguntar assim que tiver a oportunidade. Para você ter uma idéia de como o negócio aqui é bizarro, várias pessoas já me falaram que qualquer pessoa nos EUA só disca 911 em três situações: bleeding, broken or not breathing. Ou seja, quando você está sangrando, com algo quebrado ou sem respirar. Se para tirar algo do ouvido fica em 8 mil dólares, imagina para colocar pino em alguma coisa super quebrada?

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  3. Tati Oliveira
    nov 26, 2009 @ 13:46:51

    Caramba, sinistro isso hein. Fala sério 8 mil dólares por um algodão no ouvido?
    um descaso total com as pessoas, isso pq é país de primeiro mundo. até no brasil por pior que seja o sistema publico parece ser bem melhor hein….
    bjuss

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  4. Trackback: Rato – A saga IV « Experiências + Saudades = 1 Vida?
  5. mamãe
    nov 29, 2009 @ 10:33:37

    VOU VER SE CONSIGO LOCÁ-LO E INDICAREI PARA MUITA GENTE, INCLUSIVE À SECRETÁRIA DE SAÚDE

    Responder

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